O coruja – Aluísio de Azevedo

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O livro O coruja – Aluísio de Azevedo trata de uma estranha simbiose entre os dois protagonistas antípodas entre si. André e Teobaldo, amigos desde a infância, são dois polos extremos e singulares de personalidade e de forma, mas que permanecem unidos na linearidade da narrativa.

André, vulgo coruja, é um ser disforme, espécie de quasímodo que não interage socialmente e que só pratica a bondade a qualquer um que atravesse seu caminho. É um monstro de bondade, avesso aos prazeres mundanos, metódico e trabalhador, satisfeito com o trabalho pelo trabalho, dedica-se laboriosamente ao projeto de escrever a história do Brasil, vive entre pesquisas austeras e ao trabalho de professor, seu ganha pão. É vilipendiado por todos no decorrer da obra.

Teobaldo é o oposto, de hábitos nobres, bonito, ambicioso, vive para alimentar sua vaidade e é dado aos prazeres e orgias no Rio de Janeiro do século XIX. Atrai as mulheres que trombam seu caminho, mas não retribui a ninguém o amor que lhe é dirigido. Vive para agradar a todos com seus pseudos conhecimentos científicos e literários, suficientes para dar-lhe cartaz social, e fomentar pretensões políticas, no que chega a galgar algumas cadeiras. Dizendo-se interessado pelo povo e pela pátria, conquista a confiança do povo, mas seu interesse verdadeiro é alimentar seu ego.

Escrito em 1890, um anos após a proclamação da república,os personagens personificam e refletem a monarquia (Teobaldo) e a república (André). Pendendo para esta última, Aluisio de Azevedo se mira no naturalismo se respaldando, de certa forma, no positivismo e no determinismo. O clero não é poupado de fortes críticas sendo sintetizado na figura do padre que acolheu André no inicio de sua orfandade.

Aluisio de azevedo ainda pinça a evolução de alguns personagens femininos dramaticamente, suas ilusões primaveris de quando jovens e bonitas, a decadência e o inverno de corpo e alma de cada qual, tendo teobaldo como epicentro.

Os protagonistas, com sua personalidades díspares, cada qual com seu jeito singular, desembocam na solidão absoluta. André com sua solidão misantrópica propriamente dita, não convivia socialmente com ninguém, era repugnante aos olhos de todos pela sua feiúra e, curiosamente, pela sua bondade. Teobaldo de grande malícia para o jogo social, desfilava com jactância pelas esferas sociais com seu complexo de superioridade. Tinha grande popularidade, mas, dada a superficialidade e a mentira que erigia para si e para todos, era no fundo um genuíno solitário com irônicas nuances de sociabilidade.

Os dois percorrem suas histórias por diferentes caminhos de caráter e personalidade, mas com a mesma pavimentação solitária de suas trágicas existências.

Aluizio-Azevedo-O-Coruja

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