José Alencar: A alma de Lazaro

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“José de Alencar é um dos mais renomados escritores da história do Brasil e, definitivamente, dispensa apresentações. Ele é o autor de vários livros clássicos, como A viuvinha, Senhora, Lucíola, Cinco Minutos, O guarani, e, é claro, Iracema.
Mesmo com uma extensa linha de publicações, a obra de Alencar é bem conhecida e respeitada pelo público.

Mas, mesmo com tudo isso, não é de surpreender que muitos se espantem ao se ouvir que existia uma obra do autor perdida no tempo.

A Alma do Lázaro foi uma das primeiras histórias do autor e, sendo publicada no segundo volume da coletânea Alfarrábios: crônica dos tempos coloniais. Por algum motivo, a história não pôde passar adiante como as demais, e acabou caindo no esquecimento por mais de 100 anos.
Ela foi redescoberta somente em 2010, e finalmente republicada em 2011.

Antes de tudo, é importante deixar claro que essa história ainda era marco dos primeiros passos do que seria um grande escritor. Por conta disso, a obra sofre a fala de alguns elementos marcantes de Alencar, como a sua tendência à descrição detalhada de objetos e situações.

A história ocorre dividida em duas partes, ambas tomando lugar em Olinda, Pernambuco, do século XVIII.

A primeira parte, intitulada de ‘A Alma Penada’, conta a história de um jovem estudante (cujo nome não é especificado) da academia de Olinda que, geralmente à procura de inspiração, caminhava durante a noite pela cidade. Em uma dessas caminhadas, ele conheceu Antônio, um velho e humilde pescador. Enquanto conversavam, Antônio revelou a existência de um pobre, já falecido, homem, chamado Francisco, que era vítima da infame doença da lepra, e do diário que ele escrevia. Curioso com o mesmo, o estudante decide recuperá-lo e publicá-lo, para que o mundo conheça a dor de Francisco.

A segunda parte, apropriadamente intitulada de ‘O Diário’, conta as desventuras de Francisco, sob o ponto de vista do mesmo. Diferente da primeira parte, que preza pelo suspense e pela pena, esta tem uma abordagem bem trágica e pessimista, já que ela revela o preconceito e o tabu que Francisco tem de enfrentar. Em meio a tudo isso, ainda surge espaço para esperança, quando o homem se torna vítima de uma paixão platônica com a jovem Úrsula, uma jovem habitante de Olinda, e que nem ao menos sabe de sua existência.

A Alma do Lázaro preza por uma narrativa de cunho trágico e pessimista, e isso funciona bem com a trama que ela oferece. Esses tons sombrios ajudam a deixar a história tocante o suficiente para que o leitor fique na torcida por um final improvável.
No final das contas, o livro se utiliza de uma narrativa simples e fácil, para contar uma história trágica, mas que ainda é capaz de ensinar lições valiosas.

É difícil não recomendar esta obra. Apesar de ainda não conter todo o talento do qual José de Alencar era capaz, não deixa de ser uma história tocante e muito bem produzida. Ela é totalmente recomendável para os fãs de Alencar, e para os da literatura em geral.”

 

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