Machado de Assis: Helena

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Helena é um romance de Machado de Assis. Foi publicado em 1876. Aqui pouco temos da sutileza psicológica dos dois primeiros romances, verdadeiros estudos de mulheres, ou da sutileza filosófica dos romances da fase madura de Machado. Parece que Machado, após as críticas negativas a A Mão e a Luva (vide o verbete), quis mostrar que ele também era capaz de escrever um texto quintessencialmente folhetinesco. Temos aqui o amor proibido (incestuoso, até prova ao contrário), passado misterioso (de Helena antes de ingressar na família do finado Conselheiro), a força do destino (que faz de Salvador o eterno fracassado), o marido traído e abandonado (Salvador), a morte trágica de personagem jovem, etc. É em Helena que Machado é menos “machadiano”, mais romântico. Por isso é considerado pela crítica moderna o mais “fraco” romance de Machado. “Que era, na verdade, o romance Helena? Nada mais que um folhetim ao gosto romântico, destinado a emocionar senhoras e moças de coração sensível. A intriga fora armada precisamente para provocar tal efeito e o autor se deu ao maior esforço para torná-la menos inverossímil, ou mais aceitável, sem todavia conseguir dissimular inteiramente o que tinha de artificial.”[1] “Era um típico folhetim de ficção, então cultuado pelas mulheres, a quem as publicações ilustradas mais e mais se dirigiam. […] O romance tem poucos toques do Machado irônico e sutil do futuro.”[2] Mas aqui e ali a escrita elegante do bruxo do Cosme Velho perpassa pela trama rocambolesca, como na passagem a seguir que descreve a protagonista:

Helena praticava de livros ou de alfinetes, de bailes ou de arranjos de casa com igual interesse e gosto, frívola com os frívolos, grave com os que o eram, atenciosa e ouvida, sem entono nem vulgaridade. Havia nela a jovialidade da menina e a compostura da mulher feita, um acordo de virtudes domésticas e maneiras elegantes.

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