Machado de Assis: Iaia Garcia

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Iaiá Garcia é o último romance da chamada fase romântica de Machado de Assis, publicado originalmente como folhetim de 1o de janeiro a 2 de março (mas não todos os dias) de 1878 no recém-lançado jornal diário O Cruzeiro, com o qual Machado também colaborou como cronista das “Notas semanais”, e publicado em livro naquele mesmo ano. Ainda fiel à tradição romântica (com que o autor romperia no romance seguinte), tem como temas a família, o amor e o casamento. Entre os elementos da trama estão o amor frustrado (entre Estela e Jorge, impossibilitado pela posição social inferior de Estela e pela consequente oposição da mãe de Jorge) e o sacrifício para tentar esquecê-lo (o alistamento para lutar na Guerra do Paraguai), o casamento por conveniência (de Estela com Luís Garcia: “em geral os casamentos começam pelo amor e acabam pela estima; nós começamos pela estima”)[1] , o primeiro amor, adolescente (de Iaiá), o triângulo amoroso (Jorge, Estela e Iaiá), a intriga (de Procópio Dias visando frustrar o casamento de Iaiá). Grande parte da trama transcorre no bairro carioca de Santa Teresa, mesmo bairro onde morava a bela Sofia em Quincas Borba e Elisiário em “Um Erradio”.

A recepção pela crítica foi morna. O jovem oficial do exército Urbano Duarte de Oliveira escreveu em crônica na Revista da Sociedade Fênix Literária: “Foi-se […] Iaiá Garcia, e tão desenxabida como no dia em que nasceu. Inda estamos por saber que tese quis o autor desenvolver em seu livro, sendo fora de dúvida que ele quis ali desenvolver qualquer tese.”[2]

O livro tem como pontos fortes a fina análise psicológica, a criação de um triângulo amoroso de difícil solução, gerando expectativas no leitor, e a elegância estilística do texto,[3] evidenciada em trechos como “De todas as aves raras a mais rara é um bom marido; mas o que é raro não é impossível” e “a mulher que o levara a servir por quatro anos uma campanha árdua e porfiosa, e cuja imagem não esquecera no centro do perigo, essa mulher estava ali diante dele, ao pé de outro, feliz, serena, dedicada, como uma esposa bíblica”.

Segundo João Luiz Lafetá, “O romance Iaiá Garcia ainda não tem a grande característica de Machado de Assis, aquela modulação de voz pausada e reticente que relativiza as afirmações, afasta a ênfase e dimensiona ironicamente o narrado. Entretanto, se não traz o tom maior do escritor, já trabalha com a mesma matéria que alimentará seus melhores romances: a pequena vida cotidiana das famílias cariocas do século XIX, envolvidas na trama dos casamentos arranjados por interesse, dos amores impedidos por sanções sociais, do dinheiro como poderoso agente motivador das ações humanas.”[4]

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